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Criado com o intuito de partilhar momentos de criatividade, numa vertente poético-fotográfica, este espaço é aberto a todos os visitantes interessados no resultado que a metamorfose das emoções possibilita.

Atrevo-me, pois, a pendurar nas "paredes" desta minha "sala de visitas", o que constitui o acervo da minha galeria de lembranças.

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Agnaldo Lima


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

V - um corpo... um espaço... e fez-se movimento


conversa informal entre o modelo, o bailarino, 
o desportista  e o fotógrafo

o modelo, o bailarino, o desportista  e o fotógrafo

sérgio penajoia – agnaldo, quando começou esta tua paixão pela arte fotográfica?
agnaldo lima – foi em 1986. trabalhava na residência do embaixador do brasil, em paris, onde tinha como função servir a sua mesa e cuidar dos salões de recepções para que tudo estivesse impecável ao receber os convidados. numa dessas recepções estivera presente um famoso fotógrafo brasileiro, o qual lhe oferecera um livro, posteriormente esquecido sobre um piano, numa das salas de recepção. era um livro com belíssimas imagens a preto e branco, as quais mostravam cenas terríveis sobre o efeito que a fome provocava nos habitantes do continente africano, especificamente na faixa denominada sahel.
uma daquelas fotos, em especial, tocou-me profundamente, levando-me literalmente às lágrimas.
naquele momento cheguei à conclusão de que também seria capaz de me comunicar através da fotografia.
passei, então, nos meus tempos livres, a frequentar a biblioteca do centro georges pompidou, onde tive contacto com as obras de brassai, robert capa, eugène smith, dorothéa lange, cartier-bresson e michael freeman, entre outros. a partir daí, vi muitas exposições e fiz, através da objectiva, o meu primeiro contacto com as pessoas, os objectos, as formas, a luz e as cores. comecei a ver o mundo à minha volta com um olhar que até então não experimentara. imediatamente, optei pelo preto e branco, o que considero ser a elegância absoluta e intemporal da arte fotográfica.
passados dois anos fui viver em londres, onde resolvi fazer um curso de fotografia, pois achava que isso seria bom para o meu curriculum. dirigi-me, então, a uma escola especializada nessa área, em busca de conselhos. o coordenador de cursos forneceu-me algumas informações, assim como alguns endereços de escolas, sugerindo-me escolher uma que fosse do meu interesse. agradeci-lhe e, estava a despedir-me, quando, percebendo que eu tinha um portefólio comigo, manifestou o desejo de o ver. concordei, entre entusiasmado e preocupado com o seu comentário que possivelmente viria em seguida. para minha surpresa, após folheado minuciosamente o portefólio, devolveu-mo pedindo-me de volta todos os endereços que me dera anteriormente e exclamando:
“você não precisa de nenhum curso de fotografia; o que realmente precisa é aprender a imprimir as suas próprias imagens.”, e, estendeu-me uma tira de papel com um novo endereço, em cuja escola sugeriu que me inscrevesse apenas na disciplina de impressão de imagens (laboratório) visto que eu já possuía um estilo próprio e não deveria permitir que nenhuma escola o destruísse, impondo-me novas regras, novos conceitos. aquilo soou aos meus ouvidos como se tivesse a receber um prémio por todo o meu trabalho autodidacta contido naquele portefólio.
foi assim que me inscrevi no camden adult education institute, onde tive uma única aula teórica (em como revelar um filme). todo o curso girou em torno da prática de laboratório (revelação de filmes e impressão de imagens).
foi nessa escola que, ao final do curso fiz a minha primeira exposição colectiva (1989).
certamente, a partir daí,  não segui os passos da temática daquele livro, encontrado alguns anos antes sobre o piano, mas propus-me, através do meu trabalho fotográfico dar um pouco mais de beleza ao mundo e partilhar dessa beleza com aqueles com quem convivo diariamente. tanto que o meu prazer maior, no que se refere a fotografia abstracta, é transformar coisas feias em belas, tendo como sujeito eleito para essa transmutação o lixo, os objectos e as superfícies danificadas e em decomposição. dois exemplos que elucidam essa idéia são as exposições “a  alma das coisas” (1995), “a cor do tempo” (1998) e “metamorfose de um olhar” (1999).
contudo, fascina-me, também, fotografar o ser humano, nas suas diferentes actividades diárias, cujos exemplos foram vistos nas exposições “poesia urbana” (2003), “caras giras” (2004),  a segunda parte - ...e outras almas -  de “poesia a preto e branco  a alma das coisas e outras almas” (2007).
por isso a razão deste projecto – um corpo... um espaço... e fez-se movimento – para o qual tive o privilégio de que aceitasses participar.
Ufa!... quase que não mais parava de falar. Desculpa! (risos)


sp – (risos) quando pegas numa máquina fotográfica, o que sentes? o que sentes instantes antes de fazer o click para captar a imagem que vês?
al – bem, aí são duas perguntas... (risos)  portanto, duas respostas...
resposta à tua primeira pergunta: sinto-me como se estivesse a apanhar um avião rumo a um lugar onde nunca tenha estado antes, mas onde sempre desejei estar. é, ao mesmo tempo,  um sentimento de liberdade e de aventura; creio ser algo assim como se sente quando se dança.
resposta à tua segunda pergunta: sinto-me igual a uma criança que, tendo nas mãos um brinquedo o qual lhe permita tornar o mundo mais belo, mais alegre, mais feliz e, sabendo disso, sente em simultâneo a responsabilidade do click; esse click deve ser conscientemente construtivo em prol de um mundo melhor. depois, solta-se a respiração, até então presa, e parte-se para um novo momento, como se se tivesse acabado de dar à luz algo muito especial.

sp – que preparação um fotógrafo tem de ter, para ter aquele olho clínico e captar algo normal do dia a dia e transformar em uma fotografia profunda e linda?
al – antes de tudo deve ter alguns atributos tais como, uma boa objectiva para se conseguir uma boa definição da imagem, um bom conhecimento técnico no uso do seu equipamento, a percepção sobre a qualidade e o uso da luz, ter tempo disponível para analisar de diferentes ângulos (quando possível) o sujeito a ser fotografado, ter sensibilidade e senso estético na composição da imagem, usando, acima de tudo a sua emoção, fotografando para si próprio mas com a responsabilidade de que outros irão ver tal imagem e que essa  tem um fim único, tocar a emoção das pessoas, mediante o sentimento ao qual o fotógrafo se propõe.
concluindo, deve-se ter um olhar educado, analítico e atento sobre as coisas nos seus mínimos detalhes.
semelhante à dança, tem-se que ter um controlo absoluto sobre cada fase daquele momento para que o resultado  seja equilibrado, harmonioso, positivo.

sp – como te descreves enquanto fotógrafo?
al – como um visionário, um sonhador, onde o que faço como fotografia não se destine exclusivamente a ter um retorno financeiro. é claro que essa parte é muito importante pois permite desenvolver novos projectos, numa área em que equipamentos, acessórios e materiais são extremamente caros. mas não é o principal. dá-me imenso gozo a reacção de quem vê as minhas imagens. gosto de sentir a emoção estampada no seu olhar, assim como se a função da minha fotografia fosse trabalhar a emoção, massajando-a de forma calma, leve, suave, sem incomodar. algo assim como um acompanhamento físico durante um treino, quando o pt preocupa-se com o bem estar da pessoa que está a treinar.
isso faz-me ver a fotografia como um acto de amor, amor pela natureza, amor pelo próximo, amor pela vida.

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