Seja bem-vindo a este blog!


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Criado com o intuito de partilhar momentos de criatividade, numa vertente poético-fotográfica, este espaço é aberto à visitação de todos os interessados no resultado que a metamorfose das emoções possibilita.

Atrevo-me, pois, a pendurar nas "paredes" desta minha "sala de visitas", o que constitui o acervo da minha galeria de lembranças.

Obrigado pela sua visita!

Agnaldo Lima


domingo, 23 de dezembro de 2012

Boas Festas e Feliz Natal à Grande Familia Universal






 
fototografia & texto © agnaldo lima
 

Caros seguidores do blog
este é o 2013º. natal e o ser humano ainda não aprendeu a juntar os elos que unem os homens na grande família, à qual foi destinado.
em nome deste blog, desejo à todas as pessoas, no mais recóndito do universo, umas boas festas, um feliz natal e um novo ano, cujas potencialidades de felicidade e bem estar se propaguem por todos os dias na vida de cada um.
que em cada coração germine a semente do amor universal, da benevolência, da caridade que dignifica, da solidariedade que enriquece, do perdão que traz a paz, do sorriso que dá esperança e da cumplicidade que gera a confiança, transformando a vida de cada um num eterno natal.  
que a sua essência seja sentida através do olhar frontal, do sorriso franco e do esforço constante  daqueles que se dispuserem a olhar, sorrir e lutar pela união dos povos, conquistando, assim, um futuro melhor e um natal permanente, num mundo onde valha a pena viver.
A todos, um Santo Natal!
Agnaldo Lima
 
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Doação

 
 
 
 
 
fototografia & texto © agnaldo lima
 
 
 

 doação
 


se é pelo coração que se ama, doarei todos os meus outros órgãos,

pois amar, simplesmente, basta-me, para ser feliz.




 


sábado, 15 de dezembro de 2012

Ausência






 fototografia & texto © agnaldo lima
 
 
 ausência
 
nem sempre a ausência significa esquecimento;
 
nela, pode estar eternizado o primeiro encontro,
 
gravado como tatuagem, na alma e no coração.
 
 
 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Foi assim que tudo começou







fototografia & texto © agnaldo lima

Foi assim que tudo começou


Era manhã de Natal, em 1950, quando, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, fui depositado neste planeta.
Apanhei um enorme susto, quando, sem nenhuma razão aparente, levei uma palmada.
“Que violência!” – Pensei.
Chorei muito com o desejo de voltar, mas em casa o rebuliço era tanto, não me deram ouvidos. Limitaram-se, entre lágrimas de alegria e sorrisos de contentamento, juntarem-se, à minha volta, como se estivessem a receber o menino Jesus.
Ledo engano! Apenas, uma coincidência de datas, apesar do meu pai ter se chamado José e minha mãe, Maria!
E, mesmo porque, segundo reza a história, Jesus teria nascido à meia-noite, entre os dias 24 e 25 de Dezembro, enquanto que eu nascera às 10 horas da manhã do dia 25 do mês em questão.
A cama, num quarto em penumbra, em cuja casa, por décadas e décadas, tantos outros “Jesuses” haviam nascido e, tantos outros haveriam de nascer, transformara-se, naquele momento, no meu presépio particular, instalado no interior da estrebaria que me abrigara. Tornei-me o dono absoluto de uma manjedoura privada, cujo alimento era o leite materno, servido à ténue luz a entrar pelas frestas das janelas e a misturar-se com a chama do pavio do candeeiro à querosene, estrategicamente colocado sobre a mesa de cabeceira. Uma mistura de odores competia, cada um deles, por um espaço naquele aposento e nas nossas narinas. Como complemento, as lágrimas da família, o orgulho da parteira, o nervosismo do meu pai e o cansaço da minha mãe que a fez adormecer extenuada. Ali e, naquele momento, eu era o rei, o grande-pequenino, o esperado, o mais importante, depois da minha mãe, claro, a qual, com a bravura de uma leoa, dera-me à luz, como fizera aos outros quinze irmãos, nascidos do mesmo ventre, uns antes e outros depois de mim.
O tempo passava, lentamente, antecipando-me, com uma certa precocidade a lição sobre o conceito de distância, movimento e espera. Tinha urgência em aprendê-la, pois, à partir daquele momento, a vida já me apresentava situações semelhantes às que viveria durante todos os anos que se seguiriam. A paciência e a tolerância teriam que ser exercitadas, se quisesse sobreviver a tudo o que viesse depois.
Com força hercúlea, fui tentando à tudo me adaptar. Numa rapidez, não própria a todas as crianças, logo percebi para qual planeta a cegonha me havia raptado. Naquela manhã, fizera conexão em algum alambique, bebera cachaça ao pequeno-almoço e enganara-se de rota, levando-me a constatar que estaria condenado, até ao fim dos meus dias, a habitar o subsolo da cadeia planetária.
Não deixei, contudo, de perceber a beleza existente em tão inesperada experiência. Nos meus primeiros anos de vida assimilei com todos os sentidos e de forma gulosa, o sabor das quatro estações do ano e a delícia de nadar nas águas de um rio, cujo ventre se abria, incondicionalmente, como se estivesse num eterno cio. Recebia e afagava-me o corpo com as suas águas tropicais, doces e tépidas. Em seguida, oferecia-me o relaxante repouso sobre a areia das suas margens, onde me deitava, num abandono de pós orgasmo. Naquele silêncio, fabricado pela ausência de ruídos incómodos, absorvia o perfume das plantas silvestres a exalarem, como em competição, cada uma os seus cheiros. Meu aparelho auditivo absorvia os diversos e naturais ruídos, aqueles que não cansam, não incomodam, nem danificam o ouvido humano. Desse habitat, onde insectos, pássaros e pequenos animais coabitavam, surgia uma harmoniosa orquestra, somente encontrada na natureza. E, nesse cenário, as carícias de um luminoso sol que a tudo e a todos abraçava, sem pedir licença e, sem solicitar nada em troca, servia-me de cobertor. E, quando já fosse noite, pequenas lamparinas salpicavam o céu, despertando os vaga-lumes, os grilos e os sapos para um novo concerto. Essa foi a precoce lição que a natureza me deu sobre o amor incondicional.
Tudo estaria bem se, eu, com a minha curiosidade, possivelmente herança genética dos primeiros bíblicos pais, não tivesse olhado para os homens.
Foi aí, então, que me perdi.
Logo percebi que, uns, embora não fossem guerreiros, fabricavam guerras, usando e abusando das mesmas, com o pretexto de conquistarem a paz. Tive, então, a minha primeira lição sobre a incoerência.
Compreendi porque o dinheiro, razão para tantas guerras, era um metal precioso com o qual se poderia comprar quase tudo. E, assim, tive a minha primeira lição sobre a ganância.
Assimilei o conceito da dualidade, e descobri o difícil lema da escolha.
Senti, profundamente, pesar de não ter sido, mesmo, capaz de, através do meu choro, convencer a família, em mandar-me de volta para o mar salgado de onde viera e do qual nunca manifestara, oficialmente, o desejo de um dia sair.
Hoje, ando pelas ruas e florestas do mundo à busca do entendimento da vida. Às vezes, penso estar no bom caminho mas, de repente, tropeço e tenho de recomeçar. É quando, então, me transformo em Fénix e, pedaço à pedaço vou juntando tudo, colando, remendando, tomando fôlego para me erguer mais forte do que fora até então.
Contudo, sinto-me feliz pela capacidade em buscar, lá bem fundo, a força, tantas vezes, aparentemente ausente, ao ponto de quase não acreditar que exista. Quando o “depósito” parece vazio, eis que um filete de luz emerge do meu interior transformando tudo. Até parece milagre! Depois, há os amigos... ah... os amigos... tão preciosos!... Uma das suas funções é nos ensinar a não perder a fé na bondade humana e, muitas vezes, nos resgatar dos buracos nos quais, inadvertidamente, caímos.
Detesto a solidão; quando imposta é o mais pesado dos fardos; mal gerida pode fazer sucumbir o mais forte dos homens. No entanto, quando por opção, poderá ser a companhia ideal, cuja cumplicidade nos auxilia no encontro de respostas às questões que nos aflijam, tornando-nos mais discernidos, mais sábios, mais acertivos.
Acho-me, contudo, mais polido, do que o dia em que levei a primeira palmada. Incomoda-me, contudo e ainda, o facto de não ter sido capaz de eliminar certos vícios adquiridos pelo meu caminho, tais como o “egoísmo” e a “impaciência”.
Da minha aprendizagem religiosa, conclui que o homem não precisa de uma religião para estar bem com o seu deus; necessita sim e somente de uma crença que o coloque em harmonia com todas as coisas que o cercam. À essa postura dou o nome de espiritualidade; no meu entender, essa, somente poderá ser alimentada através da sua crença nas coisas, nas pessoas e nos momentos bonitos com os quais a vida nos brinda, quotidianamente. Somente assim, acredito, ele estará bem com o seu deus, com o universo, com o seu semelhante e consigo próprio.
Descobri a imagem e a palavra, através das quais tento trabalhar a minha emoção. Isso me permite ser suficientemente pretensioso para impingir aos que me cercam, um pouco da beleza que entendo existir nas minhas criações.
Se pudesse escolher, ao voltar a este planeta, seria em forma de sol para iluminar a todos, sem distinção; ou em forma de sangue, que só tem uma cor, apesar de alguns ainda acreditarem no azul.
Entretanto, amo as cores, mas quando vejo o Ser Humano ser discriminado por elas, entristeço-me. Nesses momentos, reconheço a fragilidade e a inconsistente liquidez na qual nos afogamos; liquidez de sangue, de suor e de lágrimas. E se muitas vezes não nos apercebemos é porque nos deixamos afogar na fragmentação de uma incontida grandeza que carregamos no olhar e que se perde entre os receios, medos, temores, recusas e omissões gerados nas nossas próprias entranhas.
E, é nesse processo de observação que me desnudo e me lanço numa aventura constante, na busca de um despertar maior da minha consciência e descobrir novos mundos, cujos “habitantes” com as suas almas grávidas de paixões, me acenem num convite para um grande festim; sem máscaras, aceitaria esse convite e beberia o néctar que me fosse servido. Sob o seu efeito, me embriagaria e dançaria a grande dança que só se dança quando se tem a alma desnuda e o coração aberto para a vida; e que essa vida, fluindo em todos os pontos do universo, se tornasse, definitivamente, um património comum a todos; nesses novos mundos haveria apenas uma regra: todo ser humano teria direito à vida plena e o dever de a preservar, evitando, assim, que essa fosse roubada, denegrida, injuriada... Que todas as suas necessidades básicas – alimento, tecto, educação, saúde e lazer fossem atendidas, sem que se tivesse de implorar como se de esmola se tratasse. O resto viria por acréscimo, em prol da felicidade de todos. Depois, nada sobraria, a não ser a certeza de, através dela, a missão cumprida.
Isso faria brotar dos nossos lábios, o riso largo e franco que ameniza a dor. E uma eterna gargalhada inundaria o mundo, destruindo, para sempre, as máscaras moldadas pela tristeza que invade o coração dos homens. Seria o orgasmo total, pleno e irreversível pelo qual uma alma humana jamais tivera passado.
Por isso, fica aqui, o convite.
Apesar de todos os dissabores pelos quais passamos, neste subsolo da esfera planetária, vamos, todos, orgasticar, numa eterna orgia, pois é muito bom!


sábado, 1 de dezembro de 2012

Incredulidade








fototografia & texto © agnaldo lima





Incredulidade 

 
Fecho os olhos por instantes e um medo terrível ameaça-me de morte.
Imagens desconexas embaralham-se na minha mente, como se fizessem parte de um filme mal montado.
Apavorado, num esforço quase animalesco, abro as pálpebras pesadas: é, quando, então, percebo que estou só.
A luz da lâmpada fere-me os olhos, mas me reanima.
Penso em ti, tão perto e tão distante, às vezes parecendo miragem, um corpo solto no espaço, leve e suave, caindo, preguiçosamente, para proteger-se em meus braços.
Balanço a cabeça, afugentando os pensamentos. Constato, então, claramente, a minha solidão, a minha orfandade.
Fecho, novamente, os olhos e imagino-me cercado por uma multidão; mas essa multidão tem cenhos enrugados, bocas lacradas e respirações ofegantes.
Pareço fugir do perigo para o perigo, numa angústia surda e estafante. Ao mesmo tempo, sinto-me estático, de pés amarrados, em meio ao perigo que me escraviza e me torna só.
Penso no passado, buscando vestígios de um deus que me liberte.
Uma nuvem escura inunda-me a mente, enquanto o peso do tempo contempla o intervalo dos dias.
É noite!
Passos repetem-se trôpegos pelas calçadas. Murmúrios quase inaudíveis jorram, intermináveis, entre dúvidas e esperas.
Vou sair pela rua.
Levarei uma lanterna.
Talvez, eu consiga encontrar deus.
Mas…
e se ele estiver neste quarto?...

 
 


 

sábado, 24 de novembro de 2012

Descontração






fotografia & texto © agnaldo lima

Descontração
 
Dormir, sonhar e em cada sonho perpetuar o nada, realizar um desejo e ficar ausente à vida por instantes.
 
Fecundar no sonho, o ventre da mãe, distante e chorosa e beber no seu seio o veneno da desilusão.
 
Açoitar com delicadeza o bêbedo proscrito que dorme sobre o frio da calçada.
 
Adormecer sonhando e acordar sorrindo.
 
Destruir todas as angústias, desnudar a alma à escuridão do quarto e beber todas as sensações que a vida negou.
 
Com o esperma da ejaculação nocturna fecundar todas as mulheres virgens e povoar a terra com primogénitos.
 
Cada um deles será um Messias que salvará os homens do terror da morte.
 
Prosseguir caminho, explorando os becos escuros do subconsciente e descobrir todas as deficiências que o fazem escravo.
 
Beber, sem pressa, num trago, o desejo de não voltar.
 
Dormir!
 
Sonhar!



 

sábado, 17 de novembro de 2012

Os Castrados de Deus






 fotografia & texto © agnaldo lima




Os Castrados de Deus

Viver no mundo moderno…

Vestimo-nos com peles de cordeiros, e passeamos, garbosos, sobre as próprias carcaças, carregando, iguais a hienas, um riso sarcástico no canto das bocas.

Por inveja, símbolo da nossa incapacidade, aniquilamos, impiedosamente, o outro, naquilo que ele tem de mais precioso. Transformamo-nos em morcegos e sugamos-lhe o sangue, enquanto lhe sopramos a ferida para que ele não se aperceba do sangue que perde; assim, podemos voltar na noite seguinte, com a lingua afiada e despida de remorsos. 

Viver no mundo moderno exige esforço, rapidez e coragem para enfrentar o ritual de morrermos, lentamente, todos os dias. Da mesma forma, passiva e resignada, como o cordeiro recebe a sua morte, aceitamos o ritual da transformação e, assumimos, sem receio, a perda de tudo o que veio antes, como base para a maturidade que tanto nos exige.

Tudo é tão rápido, tão efêmero... nada cria raízes! Mal começamos a nos acostumar com o novo, algo mais novo aparece, destronando o objecto do nosso desejo. As relações sociais e afectivas, de forma sutil, vão sendo, também, devastadas pelo contágio da cultura do efêmero, do temporal.

Tornamo-nos descartáveis, da mesma forma em que descartamos os objectos que criamos. Descartar tornou-se um vício em torno do qual quase todos se confraternizam; é a febre de um momento que há muito começou e se perpetua à cada dia.

Descartamos as pessoas, pois é muito trabalhoso devolver-lhes o amor com o qual nos alimenta e, por isso, inventamos desculpas para nos livrar do que achamos chato, cansativo, monótono e incómodo.

Numa postura insolente de quem tudo sabe, de quem conhece todas as respostas, descartamos o outro à busca de um ilusório, de um egoísta e passageiro estado de paz.

Vivemos à busca do amor, da amizade, do companheirismo e quando isso acontece destruimos tudo, embriagados que ficamos pelo medo de sermos felizes. E, assim, vamos, ao longo da vida, desenvolvendo projectos inacabados. Depois, no meio da noite, choramos, sozinhos, frente ao espelho e descobrimos, enfim, a amplitude da nossa orfandade. 

Para compensar, os descartes que fazemos, enganamo-nos com o jogo do tudo reciclar, pois fica bem na fotografia, a pseudo preocupação com o destino do planeta. Mas, como temos memória curta, facilmente esquecemos de que somos o planeta; um planeta constituído por ilhas flutuantes que, ora se tocam, ora se repelem, umas mais selvagens que outras, mas todas prisioneiras do mesmo medo que as mantém solitárias.

Reciclamos tudo, mas não reciclamos o amor, não reciclamos a amizade, não reciclamos o companheirismo e todos os valores primários que nos colocaram sempre e, de forma errónea, à frente dos outros animais.

As oportunidades nem sempre se repetem, e, quando acontece, nem sempre nos encontram no mesmo lugar, disponíveis  a aceitá-las. Por isso, deixamos passar tantos momentos únicos, os quais só nos enriqueceriam, movidos que somos pelo absurdo medo, pela tacanha crença de sermos diferentes, numa frágil certeza de cada um ser um personagem único e superior escolhido por algum deus.

Quase ninguém está imune a essa doença que se propaga, de geração em geração, como um castigo dictado por deuses arrependidos da obra que criaram. Quase ninguém escapa à essa epidemia, à essa tatuagem talhada na carne e no espírito, como se fora um desígnio genético.

O mundo moderno destina-se a quem é jovem, belo, rico e sem defeitos aparentemente provocadores de incómodo social. A matéria humana que o alimenta, já nasce pronta. É a geração do “prêt-à-porter”. A selecção é impiedosa, feita com requinte. E os destituídos de tais predicados continuarão a rastejar, iguais a vermes, em busca de um pouco de sol.

Quantas ilhas flutuantes tiveram as suas almas assassinadas no florir das suas existências, por outras almas sedentas de prazer e famintas de maldade?... Quantas outras ilhas continuarão a ser decepadas, decapitadas, estranguladas, bombardeadas e extintas por carrascos mascarados de falsos sorrisos e palavras doces, bem intencionadas?...

Caminhamos, sem rumo, por ruas indecisas, levando, cada um, a sua carcaça anestesiada, tal sarcófago, em cujo interior guarda as cinzas do que a sua alma já fora. 

Somos as flutuantes ilhas castradas de Deus, castradas pelas próprias irmãs nascidas da mesma fornalha.


 

sábado, 10 de novembro de 2012

máscaras






 fotografia,  texto e tradução © agnaldo lima 
 
 
máscaras
 


na multidão, onde as pessoas se perdem entre o fumo do tabaco e o o odor do álcool, ainda existe o sorriso de um pequeno deus para compensar a solidão que se esconde atrás das máscaras dos homens tristes.

 

dans la foule, où les gens se perdent, parmi le brouillard des cigarettes et l’odeur de l’alcool, il y a encore le sourire d’un petit dieu pour compenser la solitude que se cache derrière les masques des hommes tristes.

 
in the crowd, where people get lost amid the smoke of cigarettes and the odor of alcohol, there is still the smile of a little god to compensate the loneliness which lurks behind the masks of sad men.
 
 



 

sábado, 3 de novembro de 2012

A Irrecuperabilidade do Tempo by Agnaldo Lima







 fotografia & texto © agnaldo lima




A Irrecuperabilidade do Tempo
 
Agnaldo Lima
 
Somente tarde, muito tarde, constatamos tudo o que deixamos incompleto, pelo caminho, na falsa esperança de, um dia, voltarmos e consertarmos tudo.  Como se a juventude fosse eterna e acreditássemos que, somente os outros envelhecessem, dando-nos o status de príncipes da longevidade, onde tudo fosse permitido; até mesmo esquecer aqueles que nos amaram e que viam em nós os seus eternos cúmplices nessa longa viagem, através da sinuosidade do tempo.
 
No ímpeto dessa enganosa juventude, colocamos em suas bocas, deliciosos sabores, para, mais tarde, serem transformados no sabor de coisas perdidas. Enquanto isso, na nossa boca acumulávamos um travo de esperança arquivada no futuro, cuja chave ficaria eternamente perdida no passado. Nem sequer atentamos para as furtivas lágrimas que enevoavam os seus olhares, ante a capa do nosso olhar egocêntrico e precocemente preso além do presente.
 
Nosso álibe seria a sensação de segurança de um dia voltarmos e, num passe de mágica, recuperarmos o beijo não dado, o aconchego omitido, a palavra de redenção não proferida, ou o abraço que nos resgatasse da solidão.
 
Certamente não tínhamos a consciência de que o tempo transformar-se-ia num pavoroso iceberg e tal um gigante, agiria como sentinela, não nos deixando voltar! E, obedecendo à trágica lei do caminho sem volta, anestesiaria a nossa consciência e, somente muito depois, descobriríamos, com clareza e remorso, que alguns já haviam partido e que outros já não reconheceriam a nossa voz, nem a neve que se acumularia sobre os nossos cabelos. Assim sendo, quando esse momento chegasse, restaria, apenas, sentir na alma o ardor incómodo da chama que corrói e o longínquo sabor dos beijos que tivemos, se é que assim o fora.
 
Para o nosso consolo, o qual não apasiguaria a nossa dor, outros viriam depois de nós e, palmilhariam o nosso mesmo trajecto, reproduzindo os nossos mesmos gestos, numa interminável repetição de códigos milenares, os quais compunham a herança que tivemos e que, indubitavelmente haveríamos de deixar. Eles sentiriam os mesmos cheiros que sentimos, chorariam as mesmas lágrimas que choramos e se consumiriam de prazer no vigor do mesmo riso que tivemos. E num dia, lá bem distante, sentiriam o desejo de, também, voltar e, como nós, olhariam indefesos para trás e constatariam, com saudades, que o seu tempo acabou.




 
 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

era uma vez um rio... o tejo

 
 
 
 
 

fotografia © agnaldo lima


rio tejo com os seus cacilheiros, navios e tacamarãs







quarta-feira, 12 de setembro de 2012

era uma vez um rio... o tejo

 
 
 
 
 
 
fotografia © agnaldo lima


rio tejo com os seus cacilheiros, navios e tacamarãs







sexta-feira, 7 de setembro de 2012

manhã, no miradouro são pedro de alcântara - lisboa

 
 
 
 
 
fotografia © agnaldo lima


"é de manhã"... no miradouro são pedro de alcântara, em lisboa