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Criado com o intuito de partilhar momentos de criatividade, numa vertente poético-fotográfica, este espaço é aberto a todos os visitantes interessados no resultado que a metamorfose das emoções possibilita.

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Agnaldo Lima


quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Irrecuperabilidade do Tempo




Relógio de Sol
Fábrica da Pólvora de Barcarena
Oeiras - Portugal



A Irrecuperabilidade do Tempo
by
Agnaldo Lima
 Texto corrigido
Somente tarde, muito tarde, constatamos os projetos inacabados, os quais deixamos pelo caminho, incompletos, mal geridos, na falsa esperança de, um dia voltarmos e consertarmos tudo.

É, como, se a juventude fosse eterna e acreditássemos que, somente, os outros envelhecessem, atribuindo-nos o “status” de príncipes da longevidade, cujo passaporte nos permitisse tudo; até mesmo esquecer aqueles que nos amam, os quais veem em nós os seus eternos cúmplices, nessa longa viagem, através da sinuosidade corporal desse impalpável ser – o Tempo.

No ímpeto dessa enganosa juventude, colocamos em suas bocas, deliciosos sabores para, mais tarde, serem transformados no sabor de coisas perdidas. Enquanto isso, na nossa boca, acumulamos um travo de esperança arquivada no futuro, cuja chave ficará, eternamente, perdida no passado.

Nem sequer atentamos para as furtivas lágrimas que enevoam os seus olhares, ante à capa de nosso olhar egocêntrico e, precocemente, preso no futuro. Acreditamos num falso álibi, o qual nos dá a sensação de segurança de um dia voltarmos e, num passe de mágica, recuperarmos o beijo não dado, o aconchego omitido, a palavra de redenção não proferida, ou o abraço que nos resgate da solidão.

Certamente, não temos a consciência de que o tempo transformar-se-á num pavoroso iceberg e tal um gigante, agirá como sentinela, impedindo-nos de voltar. E, obedecendo à trágica lei do caminho sem volta, anestesia a nossa consciência para, somente, muito depois descobrirmos, com clareza e remorso, que alguns já terão partido e que outros já não reconhecerão a nossa voz, nem a neve que se acumulará sobre os nossos cabelos. Assim sendo, quando esse momento chegar, restará, apenas, o sentir na alma o ardor incómodo da chama que corrói e o longínquo sabor dos beijos que tivemos, se é que assim o fora.

Para o nosso falso consolo, o qual não apaziguará a nossa dor, outros virão, depois de nós e, palmilhando o nosso mesmo trajeto, reproduzirão os nossos mesmos gestos, n’uma interminável repetição de códigos milenares, os quais compõem a nossa herança, e que, indubitavelmente, haveremos de deixar.

Eles sentirão os mesmos cheiros que sentimos, chorarão as mesmas lágrimas que choramos e se consumirão de prazer no vigor do mesmo riso que sorrimos.


E, num dia, lá bem distante, sentirão o desejo de, também, voltar e, como nós,olharão indefesos para trás e constatarão, com saudades, que o seu tempo acabou.

Lisboa, 2015.



4 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado, João, pela visita e pelo comentário tão simpático!
      Volta mais vezes.
      Um abraço!

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  2. Fiquei emocionada com o seu texto. Muito lindo.

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    1. Obrigado pela sua visita! Fico feliz por haver conseguido tocar a sua emoção. É esse o objetivo do conteúdo deste blog. Volte mais vezes! Abraço!

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